Bloqueador Neuromuscular

BNM na VM vale realmente a pena?

“Vamos bloquear senão será impossível ventilar.” Quem não ouviu essa frase num plantão COVID, deu plantão errado..rs Mas realmente esse é um recurso válido na ventilação mecânica?

O Bloqueador Neuromuscular (BNM) ganhou fama com a COVID, virando uma figurinha corriqueira em qualquer UTI, a ponto de faltar no mercado. Mas por que esse senhor é tão importante no contexto da COVID? Vamos lá!

O BNM provoca uma paralisia nos músculos esqueléticos e isso inclui os músculos respiratórios, fazendo com que a pessoa pare de respirar espontaneamente. Isso é importante para os pacientes muito hipoxêmicos (como na COVID), pois, devido a essa condição, o cérebro fica alucinado mandando aumentar a ventilação e esses pacientes ficam super mal adaptados na ventilação, gerando volumes correntes altos, pressões altas e lesando ainda mais o pulmão e o diafragma. 

Dessa forma, paralisando esses músculos, conseguimos uma ventilação que seja mais “gentil”, protegendo o pulmão, enquanto os fármacos antiinflamatórios fazem o trabalho deles.

Mas o BNM não é só flores. O uso prolongado pode causar muitos problemas e a fraqueza muscular tem muitos desdobramentos, como dificuldade no desmame, maior tempo de VM, mais tempo de internação e tudo que acompanha essas condições. Além disso, ocorre também uma perda funcional importante já relatada há tempos pela literatura, mas que pode ser ainda mais acentuada no contexto do pós COVID. 

Então, é importante ficarmos atentos para evitar o uso indiscriminado do BNM, pois muitas vezes uma ventilação bem ajustada às demandas do paciente, sedação e analgesia bem feitas já são suficientes para permitir a ventilação protetora, sem os percalços que o uso do bloqueador, ainda mais a logo prazo, podem trazer. 

Caso o bloqueador realmente seja necessário, é importante a monitorização adequada com dosagem ajustada. No entanto, assim que houver a melhora (mantida) da oxigenação, com uma P/F acima de 200, por pelo menos 24 horas, devemos considerar a retirada do bloqueador, mantendo a sedação e analgesia necessárias. 

Já em relação a posição prona, o bloqueador é recomendado, mas não é fundamental. Com um nível de sedação adequado, o posicionamento em prona é seguro, mesmo na ausência de bloqueio muscular. 

Mas se liga! Paciente bloqueado não significa sedado, nem muito menos analgesiado. O uso do BNM deve ser obrigatoriamente acompanhado de sedação apropriada e analgesia eficiente. Imagina só, você estar consciente, com dor e sem conseguir se mexer. Uma verdadeira cena de filme de terror, né? É por isso, que antes do bloqueador, é realizada a administração da analgesia e da sedação. Sacou? 

Pense nisso!

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